DISCURSO DE POSSE

Transcrição de meu discurso de posse no dia 2 de janeiro de 2020. Agradeço ao setor de taquigrafia da Câmara de Vereadores que proporcionou o texto:

“Exmo. Ver. Paulo Brum, 1º Vice-Presidente da Casa, ora dirigindo os trabalhos desta magna sessão; senhores, senhoras, meus colegas, minhas colegas, magnífico público presente nesta marcante sessão que a Casa do Povo realiza neste dia; eu quero desde logo confessar que, no dia de ontem, primeiro dia do ano, caminhando como sempre procuro fazer junto à praia do Remanso, eu encontrei, em Xangri-lá, o Ricardo Sessegolo, e ele me perguntou se eu já tinha escrito o meu discurso para pronunciar neste dia e nesta hora. Em princípio fiquei um pouco encabulado, depois eu confessei “não escrevi”. E ele: “Então, vai escrever!”. Eu disse que não escreveria. E fiz certo.

Acho que nós temos que quebrar alguns paradigmas, começo por este. Eu não sei ler um discurso, eu não sei falar numa solenidade como esta se eu não estiver olhando, meu caro Mauro, no olho de cada um aqui presente, ainda que a visão não seja tão larga assim. Por isso eu não posso iniciar esse meu improvisado pronunciamento sem manifestar a minha profunda gratidão por essa presença carinhosa de tantas pessoas amigas que acorreram, numa tarde menos quente do que a que ocorreu no dia de ontem, que se deslocaram até aqui, muitas das pessoas vindas até mesmo de fora do País para acompanhar esse acontecimento. Eu me emociono inclusive quando vejo pessoas aqui que me remontam à minha condição de garoto oriundo da minha Quaraí, querência querida. (Palmas.)

Para cá eu me deslocava, junto com meus familiares, depois de umas peripécias entre Santa Maria e Uruguaiana, para plantar raízes, lançar âncora e me integrar, de uma vez por todas, com essa maravilhosa cidade que eu amo de coração, que é a nossa Porto Alegre. (Palmas.)

Não posso deixar de referir que essa lembrança me emociona, sobretudo ver pessoas com vínculos familiares meus virem de outros municípios para este acontecimento machuca, de forma muito querida, este coração envelhecido.

Por isso eu acertei em não escrever nenhum pronunciamento, ele seria mal aproveitado nesta ocasião. Eu não ia me lembrar que aqui em Porto Alegre, muito cedo, eu aprendi, ainda na política estudantil, e depois, meu querido amigo Fernando Ernesto Corrêa, lá na gloriosa União Democrática Nacional eu aprendi que o preço da liberdade é a eterna vigilância, e isso me acompanha desde então nessa caminhada, nessas mudanças sequenciais que a política brasileira apresenta, passando pela Arena, pelo PDS, pelo meu querido Partido da Frente Liberal, partido do qual efetivamente eu sou integrante, ainda que hoje ocupando um cargo da bancada do Democratas.

Isso tudo eu não registraria num pronunciamento, mas registro agora numa confissão de peito aberto, sabendo que vocês são meus amigos, sabendo que vocês são carinhosos comigo e que me perdoam por estar fugindo da regra, quebrando as tradições, vencendo mais essa barreira e estabelecendo um pronunciamento totalmente inadequado para uma solenidade como essa. Mas há horas tenho dito, e quero repetir hoje mais alto do que nunca: chega de pensar no que é mais corretamente certo, vamos pensar naquilo que é mais corretamente necessário, e necessário é que nessa hora todos nós tenhamos a compreensão do momento histórico que vivemos, quer seja pela quebra e rupturas ideológicas na política brasileira, pelo novo momento do Estado, pelas posições às vezes demasiadamente polarizadas nesta Casa, mas – e eu quero dizer, falando agora para a oposição e para o governo – sempre tive muito orgulho de pertencer a esta Casa, e esse meu orgulho aumenta agora vindo a presidi-la, e para homenagear a quantos colaboraram intensamente para que esse orgulho aumentasse, quero desde logo dizer que sou reconhecido à colaboração de muitos, e que mais recentemente, entre, às vezes, desentendimentos, mas através de uma convivência muito fértil, tive na presidência que me antecedeu, uma bela experiência de convivência democrática que eu quero estender para toda a Casa.

Às vezes a gente pode divergir, às vezes a gente pode não estar com a mesma posição, mas nunca devemos queimar todas as pontes capazes de permitir que logo se encontre a harmonia, a cordialidade e a compreensão.

Por isso, meus amigos, minhas amigas, eu não posso olhar muito para vocês porque me vêm boas lembranças, e a gente quando fica com a idade mais avançada, vira chorão, choramingão, qualquer coisa reverte em lágrimas.

Hoje, só poderia ter lágrimas de alegria, de satisfação por estar assumindo esta responsabilidade, meu caro vice-prefeito, nesta Câmara de Vereadores, onde não me encontro em oito Legislaturas, mas, sim, em nove Legislaturas, e o faço com empenho diuturno para não decepcionar aqueles que me confiam o mandato, como não vou decepcionar aos colegas que montaram esse acordo que gerou a minha presidência aqui na Casa.

Por isso, Ver. Thiago, V. Exa., que junto com o Ver. Cassio, junto com outros vereadores, armou esse acordo, fique tranquilo, eu aprendi com a UDN a sermos vigilantes, e estarei vigilante no fiel cumprimento do acordo. Por isso, senhores e senhoras, quero, de coração aberto, dizer da minha alegria de estarmos presentes no dia de hoje e da certeza de que a nossa convivência só poderá quebrar outros parâmetros, outros paradigmas, daquele pensamento, que diz que em ano eleitoral, os Parlamentos não funcionam.

Aqui vai funcionar, e vai funcionar muito bem porque é repleto de homens e mulheres responsáveis que assim também o querem. Obrigado a todos, um beijo no coração de todos vocês e muito obrigado a todos, um beijo no coração de todos vocês e muito obrigado. (Palmas)

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