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Homenagem a Zanella

Tem um Projeto de Lei de minha autoria que está iniciando objetivamente a tramitação na Câmara de Vereadores, é um projeto que mexe inclusive com a minha condição de ser humano, me emocionando por inteiro porque é uma proposta que faço de homenagear um ex-integrante desta Casa, colocando o seu nome no Centro de Comunidade da Vila Restinga, que é o ex-vereador Artur Paulo Araújo Zanella.

Todos sabem que as relações de amizade com o ex-vereador Zanella remontam à minha infância. Estudamos juntos em Uruguaiana no ano de 1953, lá se vai mais de meio século. Mais tarde, nós viemos a nos encontrar em Porto Alegre e, por largo tempo, na administração do Prefeito Guilherme Socias Villela, nós nos sucedemos, ora ele integrando a SMIC, e eu, o DEMHAB; ora eu integrando a SMIC, e ele, o DEMHAB.

Por isso eu entendo que esta homenagem ao Zanella que eu estou requerendo à Casa se justifica por inteiro. Perdoem-me a vaidade, mas me parece que, junto com ele, nós produzimos o elemento mais glorioso da história do Departamento Municipal de Habitação, quando batemos todos os recordes de construção de habitação popular. Concluímos o projeto da Restinga Nova, reabilitamos a Restinga Velha, urbanizando a Restinga Velha, o Barro Vermelho. Iniciamos e concluímos a 4ª Unidade Vicinal, abrimos a chance de construção e instalação do Distrito Industrial, desenvolvemos o projeto Pró-Gente, que urbanizou cerca de 20 vilas populares e, mais ainda, o projeto Pró-Morar, em duas situações muito especiais, que foi a urbanização sem precedentes sem mudar nenhuma pessoa que morasse na Vila Nova Santa Rosa, antiga Vila Ramos, e na Vila Nova Brasília.

O Zanella tinha uma característica até polêmica. Era um homem de opinião, muito espirituoso, que, vez por outra, criava alguma dificuldade de entendimento, logo em seguida superada.

Eu mesmo, apesar do nosso relacionamento, em alguns momentos, tive diferenças com ele, sendo que a principal foi quando ele decidiu ingressar no Partido Democrático Trabalhista e me levou um convite do então prefeito de Porto Alegre, Alceu de Deus Collares, para que eu o acompanhasse na ocasião. Dediquei a ele, de coração, que fosse feliz na opção, mas eu ia permanecer no partido que eu havia estabelecido a fundação e que, evidentemente, eu haveria de acompanhar até o seu desenlace, até o seu fim.

Coerente que eu sou em matéria partidária, o que não me autoriza a criticar quem quer que seja, que quem quer alterar, altere as suas posições em função de circunstâncias que esse conturbado momento político brasileiro vem ensejando nos últimos anos em todos os partidos, na quase totalidade, se não na própria totalidade, descaracterizado de tal sorte, que não justifica que se alegue incoerência para permanecer nessa ou naquela agremiação partidária. Por isso, faço esta manifestação, emocionada, até; saudosa, até, por que não dizer, relembrando, inclusive, um momento muito feliz que eu vivi junto com o Zanella, num período que eu considero o mais fértil da minha vida pública: aqueles anos que juntos trabalhamos na administração naquilo que, no meu entendimento, apesar da suspeição da afirmação, foi o maior e o melhor prefeito de Porto Alegre de todos os tempos, que foi o nosso colega Guilherme Socias Villela.

Cumpro com alegria, por um lado, por estar podendo prestar esta homenagem; com tristeza, de outro, pelo aspecto saudosista da lembrança do colega que já não está mais conosco e, sobretudo, com muita certeza de que a Casa haverá de agasalhar a nossa proposta, de levá-la as últimas consequências, e aprová-la tão logo isso seja possível, homenageando essa figura que tanto tempo esteve aqui neste Legislativo, e que foi, inclusive, integrante da Mesa Diretora, líder de bancada e várias outras posições.

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